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Bar da Mocinha faz parte da história do Grupo Samba de Mesa

 

É de moça só

 

Falar de Mocinha, 70, é falar de samba. "Ave Maria, tô doidinha pra ir pro carnaval no ano que vem!", confessa ela que, viúva há 45 anos, já deu o ar da graça em escolas cariocas como Unidos da Ilha, Caprichosos, Império Serrano, Portela e Grande Rio, sempre na clássica ala das baianas. Nascida e criada na casa - hoje verde e rosa - 140 da rua Pe. Climério, entre as ruas João Cordeiro e Antônio Augusto (Praia de Iracema), o apelido de dona Iraci - "nome lindo, né?" - hoje em dia faz fama, e veio de cedo.

"Ah, essa história é ótima! É que eu fui a 16ª filha do casal. Então eu, com dois anos ainda, dizia pro meu pai que fazia tudo em casa: varria, arrumava as coisas... Era mentira, mas o meu pai começou a dizer que eu era uma mocinha em casa! No começo eu não gostava do apelido não, hoje em dia eu acho é bom!", ri-se. Abaixo de dois frondosos pés de benjamim, devidamente pintados de verde e amarelo em seu caule, dona Mocinha é a anfitriã de uma autêntica roda de bambas que existe precisamente desde o dia 4 de agosto de 1978.

Se ela gosta de samba? "Se não gostasse não agüentava, né? Adoro, adoro! E aqui vem muita gente. Se você ficar até mais tarde, vai ver que isso tudo aqui fica lotado!", refere-se ela à própria vizinhança que, aos primeiros acordes do cavaquinho, já se aproxima toda se saracoteando. O contabilista Erivaldo Teobaldo, 32, é um deles. "Freqüento aqui há uns sete anos, quase todo fim de semana venho. É sempre bom porque é depois da praia, né? Um pagodezinho...", disse ele acompanhado de uma divertida turma de seis pessoas.

O Bar da Mocinha é tocado por ela e o filho, Raulino. "Meu neto, Ítalo Bruno, também toca cavaquinho".

Pandeiro, banjo, surdo, tantan... Enquanto os clássicos do samba são executados por Fernando, Chaveirinho, Gegê, etc, as primeiras barraquinhas de bebidas (cerveja, caipirinha, coquetéis, etc.) são armadas. Nem sempre para a satisfação da dona. "Já tentei tirar daqui, mas não adianta". (TM)

SERVIÇO
Bar da Mocinha - Rua Pe. Climério, 140 - Praia de Iracema. Aberto para almoço de terça a domingo, a partir das 10h; às sextas/sábados (21h) e domingos (19h), rola o tradicional samba. Não é cobrado couvert artístico. Info.: 3219.8499.

PERSONAGEM
"Eu praticamente nasci e me criei aqui por perto", anunciou, de cara, o representante comercial Jason Barreto, 48. Ao lado da mulher, Camille Miranda, ele aproveita o finalzinho de tarde com música e uma cervejinha gelada. A informalidade, para ele, traduz-se no ponto alto do local. "Aqui tem companheirismo, não existe preconceito. Se você é músico, canta, é só chegar que eles deixam tocar... Tem também o pessoal do dominó, então tá tudo em casa".

SÓ TEM LÁ
Samba no gogó! Nada de microfones, fios, caixas de som... O esquema de samba na Mocinha reza a cartilha do "quem sabe faz ao vivo" - e (só) no gogó. Ao contrário do que se possa imaginar, mesmo estando longe da mesa dos músicos, é possível ouvir o som, já que não são poucas as pessoas que acompanham os sambas. O local (Praia de Iracema) é estratégico e, no período pré-carnavalesco, torna-se point de alguns blocos tradicionais, como o Que Merda é Essa? e O Cheiro.

 

 

Fonte:

Jornal O Povo

http://www.opovo.com.br/opovo/guiavidaearte/644363.html

 

 

 

 
 

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